No dia 28 de Maio, pelas 14.00h, estávamos na Rua Fernão Magalhães, no Porto, para a nossa consulta.
Penso que, por muito que tente, não conseguirei ser fiel nesta descrição ao que se passou dentro daquele consultório. A Vânia, a pessoa que me havia dado este contacto, já me havia dito que este médico era muito "particular, peculiar", pelo que já estávamos à espera de encontrar alguém com um perfil especial. Assim foi. O Dr. Cipriano é mais do que um médico - palavras suas - é quase um faz-tudo. Cerca de metade do tempo que passámos no seu consultório - cerca de uma hora - foi ocupado a falar de si, do seu percurso, dos seus "feitos" antes e após o seu diploma em medicina. Por momentos, perguntei-me o que estava ali a fazer. Fui lá para contar a nossa história, para tentar perceber se ele tinha alguma solução mágica para o nosso caso e o senhor não falava se não dele. Memória prodigiosa, de facto. Desfiava factos históricos intercalados com os seus próprios feitos a uma velocidade e assertividade impressionantes. Isto com ligeiros interregnos para nos mostrar na sua página de Facebook, sempre aberta no computador na sua secretária (o mesmo aconteceria em consultas posteriores), os "seus" bebés, assim como posts sobre política e economia - os mais polémicos - ou fotografias de "amigas" vistosas que comentava connosco em voz alta. Surreal!
Cerca de meia hora após a nossa entrada no consultório, conseguimos pô-lo a para do nosso percurso nesta nossa "caça ao tesouro". Falámos da FIV recente e mostrámos-lhe toda a panóplia de análises e exames, meus e do Pedro, realizados até então. Referimos-lhe o "veredicto" do médico da clínica que nos acompanhara anteriormente - não aconselhava a insistir, pois as probabilidades de sucesso eram ínfimas, quase nulas. O Dr. Cipriano limitou-se a expressar um "vamos ver".
Deslocámo-nos para uma sala contígua para realizar a ecografia, aquela que o poria a par da real situação dos meus ovários e útero. Após o exame, as suas palavras foram, textualmente "os seus ovários estão uma porcaria, mas nós vamos resolver isso!". Nem queria acreditar! Havia esperança! Pedi-lhe abertamente para não me dar falsas esperanças caso fosse isso o que estava a observar, para ser o mais directo e sincero possível. Mesmo a questão da translocação dos meus cromossomas foi relativizada, pelo facto de esta ser equilibrada. Não constituía quaquer problema, ao contrário do que nos haviam dito até então.
De volta ao consultório, momento da prescrição da medicação aconselhada, para mim e para o Pedro. No meu caso, nada de diferente dos medicamentos prescritos anteriormente: Dufine, Estrofem e Puregon, para além de um outro, Meteformina, se não me engano, para controlar os níveis de açúcar passíveis de serem alterados pela restante medicação. O que era novidade eram as doses e o timings durante o ciclo. Dupliquei a toma do Dufine, passei de um comprimido diário para dois, e em diferentes momentos do ciclo. O Dr. Cipriano preencheu um calendário preparado para o efeito com os dias certos para a toma da medicação, para não haver engano possível. Pelo meio, a fase do "TPC", o período fértil, em que devíamos "trabalhar" dia sim, dia não. Nada de novo ou transcendente, afinal.
À saída do consultório conseguia sorrir. Não me tinha sido prescrita medicação diferente da que já havia feito nem me tinha sido dada nenhuma outra "mezinha especial". Mas o facto é que saí dali com a esperança renovada.
À saída do consultório conseguia sorrir. Não me tinha sido prescrita medicação diferente da que já havia feito nem me tinha sido dada nenhuma outra "mezinha especial". Mas o facto é que saí dali com a esperança renovada.
Nos dias seguintes, na escola, foi esta a expressão que mais utilizei: voltei a ter esperança!
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