terça-feira, 30 de junho de 2015

Início da nossa "Caça ao Tesouro"

    Com tantas ideias na cabeça, é difícil encontrar um fio condutor e começar a colocá-las de forma objectiva e coerente em palavras.
     Nos últimos meses, tenho lido imensos comentários em blogues sobre assuntos diversos, todos eles com um "mega tema" em comum - a maternidade. É também esse o motivo principal que me leva a, finalmente, sentar-me em frente ao computador e deixar que o emaranhado de ideias que povoam o meu cérebro comece a tomar forma de testemunho e partilha com outras mulheres com os mesmos anseios, dúvidas e dificuldades que eu tenho vivenciado nos últimos anos em busca do MeuTesourinho. 
     Pois é, tenho 40 anos e desde há muitos - demasiados - que anseio ser mãe. Mas do sonho à realidade, o percurso é (para algumas mulheres/casais) sinuoso, cheio de surpresas, de desvios que nos levam para labirintos onde nos perdemos pelo desânimo, pela dor, pela revolta, pela dificuldade em visualizar aquela luzinha que nos conduz à porta de saída, ao final do túnel.
     A vida pessoal e profissional adiou para os 40 o contexto ideal para a concretização desse desejo de sempre. Nunca me passou pela cabeça que vir a ser mãe não fosse algo que seguisse "a ordem natural das coisas" e viesse a acontecer de forma natural: desejado, programado, concretizado. Mas não foi/é bem assim...
     Por uma questão de coerência para quem vier a ler estas palavras, vou recuar algum tempo até ao momento em que este último labirinto começou a ser trilhado. Houve outro antes, mas é sobre este que faz sentido partilhar a nossa experiência com quem possa a estar a viver algo semelhante.

     Novembro de 2013, Namibe, Angola



    Desde 2011 que estava em Angola, num projecto da Cooperação Portuguesa, a trabalhar numa escola de formação de professores (o Pedro, que conheci em Angola, vivia lá há muito mais tempo). Adorava o que fazia, adorava trabalhar e viver no Namibe, sentia que poderia ficar ali para sempre.
     Há muito que confidenciava a quem me era mais próximo que queria ser mãe, mas que as condições para tal nunca estavam reunidas, por vários e diferentes factores. E a concretização dessa vontade ia sendo posta de parte, adiada. 
     Fiz 39 anos por esses dias e ouvia regularmente, por parte do Pedro, as palavras "não achas que está na hora?". Pensar em ter uma criança naquele contexto, em tantos aspectos ainda de país de terceiro mundo, sobretudo no Namibe e especialmente nos cuidados de saúde, ou então equacionar abandonar o projecto/Angola eram duas ideias que insistia em não amadurecer. Ia adiando e adiando... Até que aos 39 anos, um "empurrão" do Pedro e de uma amiga próxima, a Cristina, fez-me tomar a decisão. Sim, era chegada a hora! Daí a um mês viria para Portugal de férias e caso viesse grávida, o regresso a Angola seria reconsiderado.

     Em vésperas de Natal de 2013 viajei para Portugal. E não, não vinha grávida. Muito pelo contrário. Começariam a surgir as surpresas a partir dessa altura. É esse percurso que me proponho partilhar com todos aqueles - homens e mulheres - ansiosos por serem pais e cujo processo se revela uma verdadeira caça ao tesouro!